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Uma acção pode estar listada na bolsa de origem (ex.: Londres), nos EUA (via ADR) ou em Frankfurt.

Qual escolher?

1. Cotação principal (Bolsa de origem)

– Bolsa de Londres, por exemplo (pode ser outra… China, Brasil, etc.): É o mercado primário, onde a empresa tem a sua listagem oficial;
– Aqui há normalmente mais liquidez (maior volume de negociação) e, em regra, o spread compra/venda é mais baixo;
– A empresa reporta as contas em GBP (neste caso), e os dividendos também costumam ser pagos nessa moeda.

2. ADR nos EUA

– Um ADR (American Depositary Receipt) não é a acção original, mas sim um certificado emitido por um banco depositário que representa acções reais mantidas em custódia fora dos EUA;
– Custos/risco adicional: Taxas de administração do ADR (pequenas mas constantes, tipicamente $0,01-0,05 por acção/ano, cobradas pelo banco depositário);
– Eventuais diferenças na política de dividendos (por exemplo, o banco depositário pode reter uma comissão antes de pagar ao investidor).

3. Cotação em Frankfurt (Xetra ou Börse Frankfurt)

– Muitas acções estrangeiras são também cotadas em Frankfurt, em euros, através de cross-listings;
– Normalmente não é a bolsa principal: a liquidez é menor e o preço segue a acção original (via arbitragem), mas pode haver spreads mais altos;
– Vantagem: permite comprar em euros, evitando conversão cambial no momento da compra;
– Dividendos serão pagos na moeda original (GBP), mesmo que a acção esteja em euros: o broker converte para euros, normalmente com uma taxa de câmbio.

Resumindo:

– Se quer maior liquidez e menos distorções de preço, compre na bolsa de origem (no caso apresentado, em Londres);
– Se quer evitar o câmbio imediato para GBP, Frankfurt é uma opção, mas tenha atenção aos spreads;
– Se opera a partir dos EUA ou em USD, o ADR pode ser mais conveniente, mas com taxas ligeiras extra.

Uma acção pode estar listada na bolsa de origem (ex.: Londres), nos EUA (via ADR) ou em Frankfurt. Será que o ADR ou a acção na bolsa de Frankfurt fazem hedge cambial?

Não!

O ADR nos EUA é cotado em USD, mas o activo subjacente continua a ser a acção original em GBP (se for de Londres); o banco depositário converte os dividendos de GBP para USD (neste caso); isso elimina a necessidade de o investidor fazer o câmbio manual, mas não elimina o risco cambial: se a libra cair face ao dólar, o ADR também cai (ceteris paribus).

Na acção cotada em Frankfurt (em euros) aplica-se o mesmo raciocínio: o preço em euros é sempre um reflexo da acção em GBP, convertido em tempo real pelos participantes de mercado; o risco cambial mantém-se: se a libra desvalorizar face ao euro, o preço em Frankfurt ajusta-se em conformidade.

O hedge cambial só existe se o investidor o fizer à parte. Por exemplo: através de futuros ou forwards cambiais (ex.: vender GBP/EUR ou GBP/USD).

Hélder Pereira

Hélder Pereira é analista de mercados financeiros. Foi nomeado para os Prémios Rankia Portugal 2024 e 2025 na categoria de "Melhor analista financeiro"; tem mais de 25 anos de experiência nos mercados financeiros, muitos deles dedicados à consultoria e gestão de capitais privados para family offices; formação em Contabilidade e em Direito; e conhece extensivamente a tradição do "value investing", desde Benjamin Graham a Warren Buffett, e mais além: Peter Lynch, Terry Smith, Luiz Barsi, entre outros. Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.