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Existe uma crença no mercado de que as empresas com elevado net payout yield — aquelas que remuneram generosamente os accionistas por via dos dividendos e buybacks — são empresas aborrecidas, maduras e sem grande potencial de valorização.

Essa crença está completamente errada!

Casos Concretos

Os investidores que acompanham o meu trabalho há vários anos sabem que identifiquei várias empresas que pagavam mais de 6% de yield em forma de dividendos e/ou buybacks e que, meses depois, tiveram uma explosão de valorização.

Por exemplo:

  • Meta a $90,54 em 2022:
  • Seagate a $51,88 em 2023:
  • Ubiquiti a $118,11 em 2024:
  • E, mais recentemente, a Nucor a $135,39 em 2025:

Há muitas outras empresas na nossa lista de TOP PICKS que acredito que possam ter o mesmo potencial, embora não seja possível prever o comportamento das cotações no mercado a curto e médio prazo.

Reinvestir ou Distribuir?

Uma empresa que gera caixa tem, em termos muito simples, duas grandes alternativas para decidir o que fazer com esse dinheiro.

Pode reinvesti-lo no próprio negócio, financiando novos projectos, fortalecendo o balanço, realizando aquisições ou expandindo o negócio. Esta é, naturalmente, a opção mais atractiva quando a empresa consegue reinvestir o capital a taxas de retorno elevadas, porque cada euro retido pode gerar vários euros de valor no futuro — como as compounders que procuramos identificar aqui na MOAT Research.

Ou pode devolver esse capital aos accionistas, através dos dividendos e/ou recompras de acções próprias, quando considera que essa é a melhor forma de o aplicar.

Existe, no entanto, uma ideia muito difundida de que as empresas só devem começar a remunerar os accionistas quando deixam de encontrar oportunidades para reinvestir o capital a taxas elevadas. Como se a distribuição de capital fosse, por definição, um sinal de que o negócio já não consegue crescer de forma atractiva.

Mas isto nem sempre é verdade.

Uma empresa pode ter excelentes oportunidades de investimento e, simultaneamente, devolver uma parte significativa do seu caixa aos accionistas. A questão não é simplesmente saber se a empresa consegue reinvestir capital com bons retornos, mas quanto capital consegue reinvestir a essas taxas e qual é a melhor utilização para o capital que excede essas necessidades.

Exemplo da Apple

Em 2016 e em 2020, o total net payout médio (dividendos e recompras líquidas de acções próprias) da Apple foi de $1,91 e $4,30 por acção, respectivamente:

Nesses anos, as cotações de $30 (2016) e $60 (2020) proporcionaram aos investidores yields superiores a 6%, transformando-a numa verdadeira tenbagger — termo popularizado pelo lendário gestor de fundos Peter Lynch no seu livro One Up On Wall Street para descrever as acções que se multiplicaram por dez, gerando um retorno superior a 1000%.

Veja mais exemplos no nosso Manual do Investidor — download gratuito em moat.pt

Uma elevada remuneração dos accionistas não significa necessariamente ausência de crescimento. Em determinadas circunstâncias, um elevado net payout yield pode coexistir com um negócio em crescimento e com elevados retornos sobre o capital investido.

Apenas uma análise aprofundada deste tipo de acções — as nossas favoritas — permite identificar as melhores empresas para investir.

Veja as nossas TOP PICKS.

Hélder Pereira

Hélder Pereira é analista de mercados financeiros. Foi nomeado para os Prémios Rankia Portugal 2024 e 2025 na categoria de "Melhor analista financeiro"; tem mais de 25 anos de experiência nos mercados financeiros, muitos deles dedicados à consultoria e gestão de capitais privados para family offices; formação em Contabilidade e em Direito; e conhece extensivamente a tradição do "value investing", desde Benjamin Graham a Warren Buffett, e mais além: Peter Lynch, Terry Smith, Luiz Barsi, entre outros. Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.